Dia da Mertolenga'26


5ª edição "Dia da Mertolenga" | Montemor-o-Novo, 03 Setembro 2026


Mertolenga - Raça do Ano na EXPOMOR 2026: recorde de animais e futuro genético em debate no Dia da Mertolenga'26

A Raça Bovina Mertolenga foi a grande protagonista da EXPOMOR 2026 - Feira da Luz, em Montemor-o-Novo, um dos maiores certames nacionais dedicados à pecuária extensiva e ao mundo rural. Entre 2 e 7 de setembro, o Parque de Leilões do concelho recebeu milhares de visitantes, criadores, técnicos e investigadores, e a Mertolenga foi eleita a Raça do Ano da edição de 2026.

Um dia inteiramente dedicado à Mertolenga

No dia 3 de setembro 2026, a partir das 10h00, o auditório da APORMOR acolheu o "Dia da Mertolenga'26", uma jornada pensada para juntar criadores, técnicos, investigadores e todos os que fazem parte da "família Mertolenga" num momento de partilha e debate sobre o futuro da raça.

Um dos momentos altos da sessão foi a intervenção do investigador Nuno Carolino, do INIAV, que apresentou os avanços mais recentes na avaliação genómica da raça - um trabalho que ajuda os criadores a selecionar melhor os seus animais e a valorizar ainda mais a qualidade da Carne Mertolenga DOP que chega à mesa dos consumidores.

Uma EXPOMOR de recordes

A edição de 2026 ficou marcada por números nunca antes alcançados: mais de 810 bovinos em exposição e leilão, no que o presidente da APORMOR, Joaquim Capoulas, classificou como o maior leilão e a maior EXPOMOR de sempre, tanto em quantidade como em qualidade dos animais apresentados. A par da Mertolenga, marcaram presença outras raças de referência, incluindo a estreia da Garvonesa.

Este destaque reforça o momento particularmente positivo que as raças autóctones portuguesas atravessam junto de criadores e consumidores mais atentos à origem, à sustentabilidade e à qualidade da carne que compram.

Dia 03 de Setembro de 2026 (quinta-feira) pelas 10 horas, no auditório da Apormor em Montemor-o-Novo, por ocasião da Expomor

Programa

10h00 - Abertura

10h10 - Avaliação Genómica da Raça Mertolenga  
Nuno Carolino  
INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.
FMV UL - Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa

10h40 - Evolução Comparativa dos Parâmetros Produtivos e de Eficiência Alimentar em Novilhos Mertolengos  
Margarida Figueiredo  
ISA - Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa

11h00 - Pausa para café

11h30 - BeefQuality.pt: A Partilha de Know-How entre Brasil e Portugal 
Ana Geraldo  https://www.brazilbeefquality.com/ 
Universidade de Évora

12h00 - Zootecnia de Precisão: O Exemplo da Herdade dos Souséis de Baixo  
Nuno Henriques  
ACBM - Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos

12h20 - Encerramento

 

O resumo das principais conclusões (texto gerado por IA #):

1. Enquadramento e Situação Atual da Raça Mertolenga
- Efetivo Reprodutor e Estatuto de Risco: O efetivo reprodutor da raça bovina Mertolenga registou uma redução acentuada ao longo das últimas duas décadas, passando de 15.684 fêmeas em 2003 para 10.855 fêmeas e 196 machos em 2025. Atualmente, Setembro 2026, o Livro Genealógico (LG/RZ, ativo desde 1978) contabiliza 10674 fêmeas no Livro de Adultos (sendo 6.800 em linha pura) e 196 touros reprodutores, distribuídos por 195 criadores. A raça bovina Mertolenga está no estatuto "Em Risco" no PEPAC.
- Rusticidade e Valor Produtivo: Com origem nas zonas de Mértola, Alcoutim e Martinlongo, a Mertolenga é uma das raças autóctones mais antigas de Portugal e destaca-se pela excelente adaptação ao sistema extensivo. É, raça bovina Mertolenga, a principal raça autóctone utilizada como linha materna em cruzamentos, devido à facilidade de parto, boa aptidão materna, boa eficiência ao desmame (até 53,6% *) e produção de Carne Mertolenga DOP.
- Evolução das Pelagens: A pelagem rosilha mantém a maior representatividade (47% em 2025), embora tenha reduzido em relação a 2004 (53%), registando-se um aumento relativo das pelagens vermelha (36%) e malhada (17%).

2. Melhoramento Genético e Seleção Genómica (gBLUP)
- Objetivos de Seleção: O programa de melhoramento da Raça Mertolenga visa conciliar a seleção de características produtivas com ações de conservação da raça. Os objetivos abrangem o intervalo entre partos, capacidade maternal, crescimento ao desmame, longevidade produtiva, ganho médio diário (GMD), índice de conversão (IC), consumo alimentar residual (CAR) e peso de carcaça por dia de idade.
- Heritabilidade (h^2): As características da raça bovina Mertolenga com maior capacidade de resposta à seleção são o índice de conversão (38%), peso de carcaça (34%), CAR (31%) e capacidade de crescimento ao desmame (31%). Por outro lado, a longevidade produtiva (9%) e o intervalo entre partos (6%) apresentam menor heritabilidade.
- Avanço da Avaliação Genómica (gBLUP): A avaliação genética, iniciada em 2003 com o modelo BLUP, conta com mais de 595 mil animais na base de dados histórica. A integração da informação genómica através de "chips" de SNPs (50K a 100K) permite estimar o valor genómico (gBLUP) combinando pedigree, fenótipos e ADN, abrangendo já 955 animais genotipados associados a um grupo de 62.755 bovinos.
- Vantagens Práticas para o Criador:
  - Maior Precisão: A genómica aumenta a precisão da avaliação genética em 10% a 15% (r(AP).
  - Seleção Precoce: Permite avaliar e selecionar reprodutores mais jovens, reduzindo o intervalo entre gerações.
  - Análise Única Integrada: Permite num único teste fazer o controlo de filiação/paternidade e identificar marcadores de interesse como a Miostatina (desenvolvimento muscular), Calpaína/Calpastatina (tenrura da carne) e Leptina (gordura intramuscular e suculência).
- Cuidados na Seleção: O programa alerta para os riscos da seleção exclusivamente fenotípica ou baseada apenas no peso ao desmame, devido ao antagonismo genético entre a capacidade maternal e o crescimento do vitelo. Destaca-se também a importância do controlo do parentesco nos acasalamentos para evitar a consanguinidade (-inbreeding-).

3. Performance Produtiva e Eficiência Alimentar de Novilhos (2019-2024)
- Testes de Performance: Foram avaliados 196 machos inscritos no LG (com idades entre 8,2 e 13,6 meses) no Centro de Testagem e Recria, recorrendo a estações de alimentação automáticas Hokofarm e coleiras eletrónicas.
- Efeito da Pelagem: A pelagem dos novilhos (rosilha, vermelha ou malhada) não influenciou de forma significativa o ganho médio diário (GMD), a ingestão diária (IMD), o consumo alimentar residual (CAR) nem o índice de conversão (IC), demonstrando que todas as pelagens possuem um potencial produtivo e de eficiência alimentar semelhante.
- Estabilidade e Nutrição: O GMD e o CAR mantiveram-se estáveis ao longo dos anos de ensaio. As variações anuais observadas no IC e na IMD deveram-se à flutuação natural dos lotes de novilhos testados entre explorações. As dietas completas (TMR) aplicadas revelaram-se nutricionalmente adequadas.


# As conclusões cobrem as intervenções sobre Avaliação Genómica da Raça Mertolenga (Nuno Carolino) e Performance Produtiva e Eficiência Alimentar em novilhos Mertolengos (Margarida Figueiredo)

 

*Exemplo numérico (quando cruzadas com raças exóticas):

Se a vaca pesa 380 kg:

380×0,536=203,7 kg

Ou seja, desmama um vitelo cruzado F1 (Charolês × Mertolenga) com cerca de 204 kg. 

 

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